Visitámos a Madeira no ano passado e adorámos explorar a paisagem selvagem da ilha, entre piscinas naturais vulcânicas, montanhas verdes imponentes e miradouros sobre o Atlântico. Tentámos visitar todos os pontos turísticos mais conhecidos, mas não conseguimos ver tudo – principalmente porque há sempre muito mais para descobrir neste paraíso natural. Mas isso foi uma boa desculpa para voltar!
Uma das coisas que nos deixou mais entusiasmados nesta segunda viagem à Madeira foi poder explorar os trilhos menos conhecidos, em especial, o percurso PR17 Caminho do Pináculo e Folhadal, que estava no topo da nossa lista de coisas a fazer na Madeira. Tínhamos ouvido dizer que tinha vistas semelhantes ao famoso PR1, mas com menos visitantes – e não desiludiu! Ficámos mesmo a achar que esta é uma das melhores caminhadas da Madeira.

Acordámos cedo e fomos até ao Restaurante ‘Boca da Encumeada’ às 9h, onde deixámos o carro e encontrámos o início do trilho. Fazer caminhadas guiadas na Madeira é bastante comum, por isso contámos com a ajuda de uma excelente guia local chamada Margarida Meira. O nosso objetivo era chegar à Bica da Cana, um miradouro panorâmico fantástico, com vista para o vale de São Vicente.

Normalmente, o trilho leva-nos até ao Lombo do Mouro, mas na altura da nossa visita, em maio, só estava aberto o troço entre a Encumeada e Bica da Cana. Isso não prejudicou em nada a experiência – aliás, até tivemos a sensação de que a parte transitável é mesmo a mais bonita do percurso!
A primeira parte do trilho PR17 segue por uma levada exuberante, rodeada de vegetação densa e floresta; foi uma das caminhadas mais bonitas que já fizemos na Madeira! Pelo caminho, passámos por quatro quedas de água deslumbrantes e atravessámos pelo menos dois túneis longos. Esta secção inicial do percurso é relativamente plana e fácil, o que faz com que o início seja descontraído e agradável.

Embora as condições dos trilhos na Madeira sejam normalmente excelentes, é sempre importante estar atento às condições meteorológicas. Por exemplo, quando fizemos o PR17, tinha chovido bastante nos dias anteriores. Isso tornou o caminho mais lamacento e escorregadio do que o habitual – mas completamente seguro com umas boas botas de caminhada.
Por causa da chuva, alguns túneis estavam ligeiramente inundados, mas isso acabou por tornar o percurso ainda mais único. Levámos uma lanterna de cabeça e calçado impermeável e avançámos, saltitando com cuidado pelas pedras dentro do túnel. A água estava relativamente alta, mas conseguimos não nos molhar demasiado!

Dica: recomendamos muito fazer esta caminhada acompanhado por um guia. A ajuda foi fundamental, especialmente para atravessar os túneis inundados. Também adorámos aprender mais sobre a Madeira e a sua natureza espetacular com alguém local e conhecedor.

Mais à frente, começava a subida a sério, até chegarmos a um caminho magnífico que acompanha a crista da montanha. Estamos aqui a cerca de 1.400 metros de altitude, com vista para todo o vale à esquerda e para a freguesia de São Vicente, bem lá em baixo, à direita.

Deste ponto conseguimos também olhar para trás e ver as cascatas por onde passámos; deu-nos uma sensação ótima de conquista, perceber até onde já tínhamos chegado! Durante praticamente todo o percurso, quase não vimos mais ninguém; para nós foi uma das caminhadas menos turísticas na Madeira, feita em completo sossego, o que tornou o momento ainda mais especial.
Finalmente, chegámos ao nosso destino: a Bica da Cana, o miradouro mais mágico, a 1.580 metros de altitude. Tivemos muita sorte com o tempo: o céu, que estava limpo, permitiu-nos ver até aos picos mais altos da Madeira: o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro.

Algumas nuvens que ainda restavam da neblina matinal acrescentavam um toque de magia ao cenário, flutuando sobre os picos verdes à volta. Sentimo-nos no topo do mundo!

Reparei que esta zona também é acessível de carro, por isso, se por algum motivo não conseguirem fazer o trilho PR17, podem simplesmente vir aqui de carro – é uma excelente alternativa para ver o nascer do sol em comparação com o PR1, e provavelmente muito mais tranquila.
Do ponto final na Bica da Cana apanhámos um táxi para nos levar de volta ao nosso carro, que tínhamos deixado no restaurante. No entanto, podem sempre voltar pelo mesmo caminho (ida e volta). Perde-se a vista do pico, mas o caminho pela crista da montanha é igualmente espetacular.
No total, a caminhada demorou-nos cerca de 5 a 6 horas (13 km), mas fizemos várias paragens para fotografias, por isso achamos que se consegue fazer em cerca de 4 horas. Gostámos muito da paz do percurso; não vimos praticamente ninguém pelo caminho.
Não gostámos menos do PR17 por causa do troço fechado, até porque a parte aberta é a mais impressionante! Mas quando forem fazer uma caminhada, não se esqueçam de verificar o estado oficial dos trilhos na Madeira no site visitmadeira, para confirmarem quais os que estão abertos.

No geral, fazer o PR17 Madeira foi um dos pontos altos da nossa viagem! Com paisagens muito variadas, o percurso mostra o melhor da ilha: levadas verdes, florestas densas, montanhas dramáticas e miradouros de cortar a respiração. Saímos de lá com orgulho pelo que conquistámos e vontade de explorar mais esta parte fantástica da Madeira.
Não percam uma das melhores caminhadas da ilha!