Após dois dias a explorar a costa dourada, estávamos prontos para seguir para o interior da ilha e descobrir as suas paisagens acidentadas e o encanto das pequenas localidades. A segunda metade dos nossos 4 dias levou-nos às ruas em tons pastel de Vila Baleira, a piscinas naturais entre falésias e a mais uma das caminhadas mais icónicas da ilha.
O que fazer no Porto Santo
Nos últimos dias do nosso roteiro, quisemos assinalar os lugares imperdíveis da nossa lista. Continuem a ler para descobrir os nossos destaques, com um excelente equilíbrio entre momentos de descanso e aventura.
Caminhada no PRPS2 até ao Pico do Castelo
O nosso objetivo para esse dia era o Pico do Castelo – o pico de origem vulcânica que se avista de praticamente toda a ilha. O miradouro no topo proporciona vistas panorâmicas sobre a montanha e o oceano, sendo o ponto alto da caminhada pelo trilho PRPS2.

Nota: O percurso completo tem 8,5 km e demora cerca de 3 a 4 horas, mas como só tínhamos quatro dias, optámos por fazer uma versão mais curta.
Chegámos cedo e estacionámos na Vereda do Pico do Facho. A partir daqui, seguimos o caminho a subir durante cerca de 15 a 20 minutos até ao cume. Embora a subida seja exigente e faça o coração acelerar, vale totalmente a pena pelas vistas do topo. Foi neste ponto que regressámos, mas, se tiverem mais tempo, recomendamos fazer o percurso completo, já que existem outros miradouros ainda mais impressionantes ao longo do caminho.

Porto dos Frades (costa este)
O nosso ponto favorito foi o Porto dos Frades, um pequeno conjunto de piscinas naturais na costa este, perto da praia com o mesmo nome. As piscinas, formadas por um conjunto de rochas vulcânicas irregulares, enchem-se com as águas límpidas daquela zona.

Era o mês de maio e passámos aqui algumas horas sem ver uma única pessoa — tivemos este paraíso só para nós.
Como chegar: A partir do parque de estacionamento, seguimos um trilho de areia ao longo das falésias, com vistas deslumbrantes sobre a baía. Pelo caminho, passam por uma pequena casa e cerca de cinco minutos depois, encontram as piscinas. Recomendamos calçado aquático, pois as rochas são afiadas.

Fenda da Dona Beja
Um pouco mais à frente do Porto dos Frades existe um acesso absolutamente impressionante à praia. Continuem pelo mesmo trilho arenoso ao longo das falésias até à Fenda da Dona Beja, um desfiladeiro estreito entre formações de areia. Subam uma pequena escada de madeira até à abertura.

Porto das Salemas (costa norte)
Na costa norte, o Porto das Salemas é outro local pitoresco que adorámos para um mergulho. Aqui, desfrutámos de vistas fantásticas sobre o Atlântico, enquanto as rochas vulcânicas criam uma proteção natural contra a força das ondas. Certifiquem-se de consultar previamente os horários das marés, uma vez que a maré baixa é o momento mais fácil e seguro para aceder às piscinas.
Como chegar: A partir do parque de estacionamento, é uma descida íngreme de cerca de 10 minutos a pé até às piscinas. Também é possível descer por um caminho de terra batida, mas é necessário um veículo 4x4 — algo que gostaríamos de experimentar numa próxima visita.
Passeio de barco pelos ilhéus
Um dos destaques dos nossos quatro dias foi um passeio de barco de duas horas para explorar os ilhéus desabitados ao largo da costa. Partimos do porto em direção ao Ilhéu de Cima, onde ficámos maravilhados com as diferentes cores e texturas da rocha, realçadas pelo farol no topo.

De seguida, contornámos o Ilhéu da Cal, outrora utilizado para a extração de cal. O guia, muito experiente, partilhou a história destas formações e indicou as melhores enseadas e grutas para fazer snorkeling. Embora não tenhamos tido oportunidade de o fazer, fomos informados de que os passeios incluem normalmente paragens para nadar.

Passear pelo centro histórico de Vila Baleira
Concluímos o nosso roteiro passeando pelas encantadoras ruas de Vila Baleira. Apesar de pequena — cerca de uma hora é suficiente para visitar os principais pontos —, a localidade está cheia de charme. Além disso, situa-se junto à praia principal, por isso aproveitámos para dar um mergulho.

Começámos no antigo cais e passámos pela Igreja de Nossa Senhora da Piedade e pela Câmara Municipal. O grande destaque foi a Casa Colombo – Museu do Porto Santo, que explora a história marítima da ilha, com especial enfoque em Cristóvão Colombo, que se diz ter vivido neste edifício.

Pico de Ana Ferreira e os “Tubos de Órgão”
Antes de partir, fizemos uma curta visita ao Pico de Ana Ferreira, onde se encontram os famosos “Tubos de Órgão” — impressionantes colunas de basalto que se erguem na encosta. À medida que nos aproximávamos, era impossível não reparar na perfeição da sua simetria. Sem dúvida, a nossa paragem fotográfica favorita antes de deixar a ilha.

Dica: Existe um trilho com grutas nas proximidades para quem procura uma aventura extra.
Porque adorámos a segunda parte do roteiro
Enquanto a primeira parte da viagem foi dedicada às praias e aos desportos aquáticos, a segunda revelou o lado mais selvagem do Porto Santo: piscinas naturais escondidas, ilhéus vulcânicos desabitados e trilhos panorâmicos.
Ao olhar para a ilha a partir do ferry, sentimos uma enorme gratidão por termos podido conhecer um pouco de tudo o que a torna tão especial — das praias paradisíacas às formações geológicas e aos miradouros. O que mais nos marcou foi o facto de o Porto Santo ainda se manter preservado, permitindo desfrutar da natureza com uma sensação de tranquilidade e exclusividade.
Recomendamos acrescentar quatro dias no Porto Santo à vossa viagem à Madeira — o tempo ideal para aproveitar o melhor da ilha.