Há experiências que nos tiram o fôlego. E depois há aquelas que, para além de nos tirarem o fôlego, ainda nos fazem sentir pequenos diante da imensidão da natureza. Eu já tinha voado de parapente antes, mas, sinceramente, já me tinha esquecido do quão incrível é a sensação.
Ainda durante o planeamento da minha viagem, sabia que queria fazer várias atividades radicais na Madeira e o parapente é uma daquelas experiências que, para além de nos colocar à prova, nos permite contemplar cenários que de outra forma não seria possível.

Pode fazer-se parapente na Madeira a partir de, pelo menos, três sítios e acredito que todos tenham o seu encanto, mas percebo bem o porquê de a Madalena do Mar, na Madeira, ter-me sido recomendado. Esta vila piscatória é um encanto, ali bem aninhada entre as falésias escarpadas, que tão bem caracterizam a ilha e o mar. Aqui existe uma das mais extensas plantações da famosa banana da Madeira, que pinta a paisagem de uma forma única. A cereja no topo do bolo é a bonita marginal com a praia de calhau e uma vista mágica para o pôr do sol.

É de sabedoria geral que o tempo na Madeira é um pouco imprevisível. E, para fazer uma atividade como parapente, ainda mais: não pode estar pouco vento, senão a asa não levanta, nem demasiado vento, senão… acho que não é preciso explicar porquê! É claro que a malta da “I Can Fly In Madeira” é muito experiente e sabe perfeitamente quando é possível levantar voo. Após duas sessões canceladas por causa do vento, já começava a achar que não era para ser. Mas como em tantas coisas boas na vida, vale a pena esperar.
À terceira foi mesmo de vez e finalmente pude assimilar que ia mesmo voar de parapente na Madeira. Nessa manhã o céu estava limpo e o vento ameno. Falei com o Gabriel – o nosso piloto – e percebi que ia conseguir voar! Dito e feito. Mas tenho de confessar que tivemos uma sorte inacreditável! O timing não podia ter sido melhor porque logo a seguir ao meu voo o vento aumentou um pouco e mais ninguém voou nesse dia. Tornou tudo ainda mais especial!
O ponto de encontro para a experiência de parapente é cá em baixo na vila, mesmo ao pé de uma praia, e há uma carrinha que nos leva até ao ponto de descolagem, lá bem no alto, entre a Ponta do Sol e a Madalena do Mar: o Arco da Calheta. Admito que à medida que ia subindo, os nervos também aumentavam. A paisagem era incrível, mas estávamos bem acima do nível do mar e a vista era impactante. Quando me meto nestas aventuras, tenho sempre aquela sensação de que sou muito menos corajoso do que acho, e o medo acaba sempre por me lembrar disso.

Conhecer o meu piloto tandem, o Gabriel, fez com que ficasse mais calmo. É um tipo muito sereno, bem confiante, com muitos anos de experiência e com uma calma que acaba por ser contagiante: “ele sabe o que está a fazer”, pensei eu. Isso é fundamental, principalmente porque, para descolar, é preciso correr em direção ao vazio. Sim, depois do arnês colocado, capacete na cabeça, tudo confirmado, e da asa estar no ar, para levantar voo é preciso correr uns metros para a frente. O problema é que a frente é uma escarpa de 300 metros até ao mar. É difícil de explicar a adrenalina que sentes quando ouves: "Quando eu disser, corres. Não penses. Confia em mim e corre". E foi o que fiz. Corri. Senti a asa a puxar, o corpo a perder contacto com o chão, e de repente… silêncio. Estamos no ar!

